segunda-feira, 23 de março de 2009

Medo das mudanças...


Estava tão habituada ao teu geito.

Á tua forma de falar, de gracejar, aos teus olhares, a todas as tuas expressões...

Amava a sério, mas agora já não sei...É certo que disse que sempre te amaria, mas acho que errei. Não estarei agora a fazê-lo?

O tempo está a passar e não me compreendo...



Pegar na mala e virar as costas...(?)


Acho que desta vez até bati com a porta.

Penso que saí e deixei e deixei a presença morta.

Mas no turbilhão do meu peito

É esquecido outro e outro feito...


Saí. Não há mais a fazer.

Fecho outra porta, com tanto a dizer.

Palavras que julguei importantes,

Verdades que eu queria que ouvisses

Mas que calei com medo que fugisses.


Mudo outra página, nem sei que estou a escrever.

Um destino em que a menina se encontra,

Ou o seu coração ousa perder?


E por vezes parecia mais facil

Quando ainda aqui estavas.

Neste momento não sei qual das partes é mais hábil

A calar as verdades contestadas...


Afasto-me, afasto-me do lugar,

Afasto-me e a meio paro para pensar.

Tenho medo, mas não quero ficar aqui,

Tenho medo mas não hesito em seguir...


Já não te quero, Já não te posso querer,

Ou será mais uma ilusão daquelas que se apagarão?

OHHH, responde-me inútil coração!!


Não sinto tristeza,

Nem a segurança que em ti sentia...

Agora tenho a clareza que em ti me seguia...

Não quero ficar,

Numa mais maré de escuridão...

Não te quero abraçar.

Não te encontro não...

Não me encontro não...


Pego na mala,

Já devia ter saído.

E aqui me encontro, num segundo repetido.

é tempo de virar costas, de deixar o tempo correr...

Será que esqueci.

Será que estou curada?

Ou continuo numa espera escondida

De ainda esperar te ver?...


Mudanças.

Agora já não consigo ganhar.

Pego na mala, viro as costas,

E sinto-me mudar.


Certo ou errado? Quem o poderá dizer?...

Caminharei por essa estrada fora, até ter de me encontrar novamente com o que realmente quero ser.



* Sinto-me errar neste tempo. Fugir de quem realmente sou. Sinto-me cair naquilo que eu não conheço.

Tenho medo, mas ele cala-se no momento de falar, e quando acho que estou pronta para pedir uma mão ele deixa-se ficar.

Não sei se será assim, se prometi e desta vez não cumpri...Mas quantas promessas partiste tu?...

Não quero desiludir ninguém, mas preciso de seguir...Tenho um mundo novo para ver.


Tenho novos objectivos a conseguir.


-(Felicidade...?)




segunda-feira, 16 de março de 2009

*Quase dois anos depois...(1)



Penso que não me vi. Não me vi no espelho, nem nas costas da colher. Não me vi no reflexo da água, nem no da janela. Simplesmente continuei sem me espreitar.

De repente tinha ganho umas asas enormes, maiores que aquelas que teria força para suportar...Ganhei um brilho constante de lágrimas no olhar, ganhei um sorriso invertido...

Não sei sequer donde tinham vindo e já estava a dizer que estava pronta para conseguir.

Hoje falo de força...Hoje falo de coragem. Hoje falo de mudança.

Coragem...coragem não é dizer «Eu não tenho medo de nada nem de ninguém»...

Sim porque eu tive muito medo mesmo, muito medo do que estava consciente de que perdia todos os dias, e do que nem sequer imaginava que estava a perder.

Perdia-me a mim, perdia as pessoas de que precisava, perdia a verdadeira Inês.


Andava algures entre mentiras que eu sabi que o eram, mas que nem queria constatar que o eram realmente.

E nesse tempo eu não me vi, não me vi, não me espretei. Seguraste-te em mim, e eu segurei-me nele...

Suportei-te...como? Não sei, suportei-te com toda a vontade que tinha de fugir para longe de ti...

Ele não me suportou, mas nem disso eu te quis culpar.

Talvez até não tivesses mesmo culpa.

Via tanta coisa rodar á minha volta que eu nem parava para pensar...ou será que fui a única que o fez?

Tantas noites debaixo de luar, tantas palavras mal ditas...

Essas palavras que tu proferias como alguém que diz "São três horas", mas que deveriam ser proferidas com o mesmo pesar leve que "Amo-te" ou "Perdoa-me"...

Disseste apenas palavras carrossel...Palavras que giravam, giravam em torno do mesmo, me deixavam tonta, com o peito aos saltos e uma vontade imensa de cair por chão, mas que ao mesmo tempo me davam força para correr para aquele parquezinho, onde juntava os joelhos num abraço e deixava a tristeza cair-me pela face, o meu impeto de dor vaguear pelas pedras da calçada...até que sentia a sua mão quente...

Posava-me a mão no ombro...Respirava fundo...sentava-se a meu lado, esperava e depois abraçava-me...

- Que se passa?...Estás bem? Olha para mim...

Eu insistia...não, não queria que visse as lágrimas...Não não queria que sentisse que eu andava sempre me baixo e assim não tinha graça. Não queria que sentisse, ao posar a sua alma na minha, que ela estava cheia de cicatrizes mal saradas, e feridas abertas...

- Vá lá...Olha para mim...Mor!

Eu levantava a cabeça, hesitante, arranjado mil formas de camuflar o rio que desaguava na minha face, mas ele sabia...ele sabia sempre, ele sabia tudo...

Ele nem precisava de uma palavra...ele sabi o que eu ia dizer...«Ela».


Depois, pegava-me na mão esquerda, e com a sua direita limpava-me uma lágrima...Olhando, olhos fixos, olhos de vidro, que de mim nada queriam esconder...

Naquele momento eu ouvia todas as palavras de novo, eu sentia tudo de novo, e estremecia...Um arrepio, um enfraquecer de ombros, uma ligeira fraqueza nos joelhos...

-Não fiques assim...vá lá. Psiuu...

E envolvia-me num abraço aconchegante, num abraço de carinho, de compreensão, que ele até podia não compreender, mas esforçava-se bastante para o fazer...e eu sabia-o tão bem...

Mesmo sem me olhar, percebia o meu pedido de socorro; memso sem me tocar, sentia a minha trsiteza; mesmo sem se aproximar, sabia quando não queria estar ali; mesmo sem falar, ele sabia que eu precisava de uma mão que me segurasse, um olhar que me desse confiança, uma suavidade que me limpasse a alma, e um coração que me fizesse sentir amada...


*Compreensão*Esta é a primeira razão porque continuo a sentir a tua falta...