quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Jogos.


Ambos sabemos que tudo no mundo que nos rodeia é relativo. Sei também que tu o sabes melhor que eu, e que concordas com tal, muito mais que eu.
Para falar verdade, a nossa relatividade já ultrapassa a relatividade própria do relativo, e em cada passo que damos tanto fugimos para perto, como corremos para longe.
Como se jogássemos um jogo de estratégia…Hoje fico, amanhã não. Hoje fico, mas amanhã não.
Lanço sentimentos por mesa, e ponho-os á venda numa rua qualquer, como se faz no monopólio. Tento completar o queijinho como no Trivial, mas faltam-me sempre as fatias que não me dás…
Jogos de mesa nunca fizeram o meu estilo. E eu sou dotada de grande azar.
E se deitássemos o tabuleiro pelo chão, apenas desta vez…e se fizéssemos os dados rolar, as cartas voar, e esquecêssemos por momentos, apenas por agora, esta capa que nos continua a atordoar? Que continua a tirar importância ao que realmente ME importa.
Paramos de jogar? Podes sentir-me só desta vez?
E tu levantaste e vais novamente buscar a tua bengala de relatividade, e debaixo do outro braço, bem agarrado, trazes o Cluedo…E á atrás, numa pilha…Damas, Cartas, dominó, Partyco, Xadrez…
A minha cabeça começa a falhar...


Relatividade, Mundo, Tu.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dias.


Há dias na vida em que sentes necessidade de parar.
Há horas em que te sentas frente a frente contigo mesmo e não podes deixar de te enfrentar. De alguma forma precisas de voltar a respirar, não suportas mais o ar entalado entre os pulmões.
Descalças as botas, porque elas pesam e adormecem os teus pés, mas deixa-las perto enquanto ponderas entre comprar umas novas, ou voltar a calçar as velhas, sujas de pó, com marcas de já terem percorrido milhares de quilómetros sem terem chegado a parte nenhuma.
Tiras a mochila das costas, deitas fora sentenças que a enchem, segredos que ocupam espaço, luzes que quando ainda tinham pilhas, brilhavam tão intensamente que bastavam para achares que eram verdadeiras, desmanchas ilusões, e no fim sobra-te um tecido cosido e vazio.
Sentas-te num lugar qualquer, baixas a cabeça e sentes a fraqueza correr-te nas veias com mais fluxo que o próprio sangue, e pela primeira vez nesta jornada sem destino tentas encontrar a resposta para a pergunta que tens carregado atrás de ti, e que sabes que está lá, e que te serve de sombra.
Praguejas contra essa mania estúpida de não desistir, de não parar para pensar que mata, esfaqueia, e volta a matar. Que te dói na pele como escaldão, como agulhas a perfurar, e da qual não te consegues livrar…
Resmungas, silencias, viras-te para todo o lado. Choras. Tudo te farta, tudo te enche, tudo te esgota…
Acabas por adormecer…
Quando acordas, não passou de uma tempestade. Voltas a calçar as botas, metes a mochila ás costas…muito mais leve, muito mais pronta…E sabes, tu sabes, que te vais cansar mais uma vez, quando a mochila estiver novamente cheia. Quando os teus olhos estiverem cansados…

Vais sempre precisar de algum tempo para parar...Uma bússola sem pontos cardeais...